Segunda, 26 Janeiro 2026 11:33

Setor de Combustíveis e Lubrificantes: Nova rodada de negociações salariais será realizada nos dias 28 e 29 de janeiro, em SP

A campanha salarial dos trabalhadores do setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes entra em uma nova etapa, com a realização de novas rodadas de negociação nos dias 28 e 29 de janeiro. O processo ocorre em meio a impasses e propostas patronais que colocam em risco direitos históricos da categoria, exigindo atenção redobrada dos trabalhadores e das entidades sindicais para temas centrais da pauta.

A primeira rodada de negociações

O encontro realizado nos dias 13 e 14 de janeiro, no Rio de Janeiro, reuniu sindicatos laborais de todo o país e representantes do SINDICOM, sindicato patronal. Na ocasião, as empresas apresentaram uma contraproposta considerada rebaixada pelas entidades sindicais, limitada ao INPC do período (3,90%) e sem atualização do teto de reajuste, mantido no patamar de 2025. Além disso, o patronal não apresentou proposta de abono e incluiu pontos que ameaçam direitos históricos da categoria, o que levou os sindicatos a rejeitarem a proposta e a exigirem a continuidade das negociações em âmbito nacional.

A negociação coletiva de 2026 mobiliza sindicatos de todo o país e envolve uma pauta marcada pela defesa da negociação coletiva e pela preservação de direitos consolidados. A avaliação das entidades sindicais é de que a estratégia patronal busca fragmentar a categoria, reduzir o alcance dos reajustes e enfraquecer o papel dos sindicatos na mediação das relações de trabalho.

Entre os principais pontos de atenção da campanha salarial, destacam-se as lutas:

1) Pelo fim do teto de reajuste salarial: Os sindicatos denunciam a prática patronal de impor tetos artificiais aos reajustes, restringindo o número de trabalhadores beneficiados pelas conquistas coletivas. Essa estratégia visa dividir a categoria e esvaziar a Convenção Coletiva, ao estimular negociações individuais, inclusive com trabalhadores que não se enquadram na figura legal do hipersuficiente. Apesar disso, as entidades reforçam que todos os direitos da CCT permanecem válidos para toda a categoria.

2) Pela apresentação de proposta de abono salarial digna: Na primeira rodada de negociação, o patronal não apresentou proposta de abono, reivindicado pelos trabalhadores como mecanismo de recomposição das perdas acumuladas. Para os sindicatos, o abono tem caráter indenizatório e sua negativa representa a transferência do custo das perdas inflacionárias para os trabalhadores, aprofundando desigualdades salariais.

3) Contra mudanças danosas na cláusula de periculosidade: Outro ponto crítico é a proposta patronal de restringir o pagamento do adicional de periculosidade apenas aos casos estritamente previstos na legislação, descartando o critério territorial atualmente garantido nas normas coletivas. As entidades alertam que essa mudança representa a supressão de um direito coletivo e um risco direto à saúde e à vida dos trabalhadores, especialmente em um setor que lida com atividades de alto risco.

4) Contra a flexibilização de benefícios e o enfraquecimento das convenções e dos acordos coletivos em todo o Brasil: Os sindicatos também criticam a proposta de adoção de “benefícios flexíveis”, que transfere a definição dos benefícios para negociações individuais. Segundo a avaliação sindical, essa medida fragiliza a lógica coletiva das negociações salariais, amplia desigualdades internas e abre espaço para práticas arbitrárias, transformando a flexibilização em perda de direitos e não em ampliação de garantias.

Com a retomada das negociações nos dias 28 e 29 de janeiro, os sindicatos reforçam a defesa da negociação coletiva como instrumento fundamental para garantir direitos iguais para toda a categoria e convocam os trabalhadores a acompanharem e fortalecerem a mobilização em defesa de salários justos e da manutenção dos direitos conquistados.

Fiquem atentos aos nossos comunicados! Essa é uma campanha salarial fundamental para o futuro da nossa categoria!

Bancada Nacional dos Trabalhadores do Setor de Distribuição de Combustíveis e Lubrificantes: A negociação salarial de 2026 abrange os Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo (SITRAMICO) de: Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santos, Fortaleza, Joinville, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Uberaba, Uberlândia e região. Além dessas entidades, também participam da negociação: a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo – FETRAMICO e áreas inorganizadas em sindicatos, a Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivado de Petróleo no Estado de São Paulo - FEPETROL, SindMinérios de São José dos Campos, São Paulo, Pelotas, Campinas, Santos, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Região do Grande ABC ; Sinderpetro - Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Interior do Estado do Ceará e Sintrapetro de Florianópolis e Região- Sindicato dos Trabalhadores em Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Gás Liquefeito da Grande Florianópolis e Região.